Caro Fernando,
Gostei muito dos teus argumentos e concordo quase que integralmente. Mas se formos tão severos ao analisar a arquitetura dos outros países - que têm mais recursos financeiros, populações mais educadas e cultas e, consequentemente, mais revistas e publicações - acho que o Brasil não esta mal, não. Podia estar melhor, é claro, e é o motivo principal de estarmos discutindo aqui. Continua...
Oi André, suas palavras otimistas não animam minha posição pessimista – e olha que eu sou um otimista nato! No esteriótipo, o Brasil sempre foi visto como uma periferia animada, seja pelo sacolejo da mulata ou pelas curvas de Niemeyer. Continua...
Caro Fernando, negar que a arquitetura brasileira esteja mais presente nas principais revistas especializadas internacionais é preocupante. É só observar. Não considero, é claro, que a Wallpaper entre na categoria de revista "especializada" de arquitetura (apesar de ser muito mais influente para o publico em geral do que qualquer revista "séria"). Continua...
Oi André, tudo bem? Como de costume, não enxergo a situação com tanto entusiasmo. Que fatos concretos você se refere quando afirma que nossa arquitetura contemporânea está "sendo melhor considerada pela crítica internacional"? Continua...
Caro Fernando,
Tendo a concordar que há desinteresse das autoridades em utilizar a arquitetura como símbolo de afirmação nacional, e pouca sensibilidade do público quanto à qualidade arquitetônica dos futuros estádios. Mas acho que isso pode mudar. O Brasil está melhor sob vários ângulos e há uma estranha tradição dos povos que melhoram economicamente de querer melhorar sua arquitetura. Você diz que não há uma arquitetura que represente nosso momento histórico, mas há aspectos de nossa arquitetura que melhoraram extraordinariamente. A arquitetura de casas no Brasil hoje, por exemplo, é notável. Continua...
Oi André, o fato de alguns arquitetos brasileiros terem realizado no passado obras com alguma relevância não credencia as novas gerações a continuarem criando com qualidade: a cultura não segue a teoria da evolução. Continua...
A questão do cartão-postal só é relevante se traduzir uma realidade. A estética do Rio tem que ser proporcional à situação em que se encontram as comunidades, senão voltamos ao já mencionado Potemkin... Continua...
Oi André,
Claro que eu não acho que a remoção de favelas é completamente condenável. Os problemas devem ser estudados caso a caso. Mas creio que ela só é aceitável quando há risco de vida em jogo: áreas contaminadas ou zonas passíveis de enchentes ou deslizamentos, por exemplo. Ou seja, quando os moradores correm perigo. Caso contrário, não creio ser justificável, mesmo que o cartão postal fique melhor. Sou contra, por exemplo, remover uma favela só por que ela está em uma área “turística”, de “geografia excepcional”, ou de forte “apelo estético”. Continua...
Caro Fernando,
Não creio que a opinião do Besserman seja pela elite. Acho que é uma análise que equilibra conhecimento teórico e experiência de carioca. As favelas do Rio são bastante diferentes das de outras cidades, pois a cidade tem geografia excepcional e, entre outras vocações, a de ser uma cidade turística, com forte apelo estético, que lhe dá a possibilidade, por exemplo, de ser sede de olimpíada. Ele tem consciência, também, de que não há uma só solução para o Rio. E diz que "há muitos casos em que a remoção se justifica" e que sobre favelas com dezenas de milhares de habitantes como a Rocinha "há consenso de que é muito mais simples e barato urbanizar (...) do que removê-las." Continua...
Oi André,
Tudo bem? Sou obediente: acatarei sua sugestão. Deixemos Barragán e Brasília para depois – apesar das possíveis divergências de opiniões e paralelos que poderíamos traçar (você sabia que o Convento das Capuchinhas foi inaugurado quatro dias depois de Brasília?). Continua...
Fernando, tambem sou fã do Barragan. Que talento para conseguir casar elegância com modernismo, cor e regionalismo! Vou falar dele (achamos uma agenda positiva!) em outra ocasião pois temos urgências.... Continua...
Oi André, tudo bem? Foi só você falar que o esnobismo pode ajudar a "boa" arquitetura no Brasil para a tromba d'água do Rio nos lembrar que onde mais precisamos da "boa" arquitetura é onde ela quase não existe. Continua...
Caro Fernando, que bom que concordamos sobre os CEUs! Tua escolha da escola de Angelo Bucci e Alvaro Puntoni me agradou particularmente, pois são totalmente excepcionais. Continua...
Caro André, não quis fazer apologia das construções governamentais sem qualidade. Também acho que o governo deve construir bem – para dar o exemplo ou mesmo para fazer economia (uma obra bem desenhada e construída, deveria ter manutenção mais barata). Quando eu disse que o governo deveria construir “predinhos sem vergonha e baratinhos” buscava conectar a arquitetura com seu significado, a obra com seu discurso. Continua...
Fernando, governo não pode fazer "predinhos sem vergonha e baratinhos", sobretudo no Brasil. Governos devem ser referência: têm que fazer as coisas da maneira mais honesta e correta possível, pensando no médio e longo prazos. Além do mais, os edifícios públicos têm que durar e ser um exemplo para a população. Continua...
Oi André, nos Estados Unidos, a grosso modo, quem foge do centro da cidade é a população, que se muda para casas de subúrbio, e as empresas, em seus office-parks: quase nunca o governo. Ou seja, é uma iniciativa privada e não pública. Continua...
Caro Fernando, muito interessante seu paralelo entre o centro administrativo de Minas Gerais e as Olimpíadas. Fugir do centro da cidade é uma solução norte-americana que realmente não deve ser aplicada no Brasil. No caso de Minas, a idéia divulgada pelo governo do Estado é a de quer os edifícios públicos "liberados" seriam usados para atividades culturais. Continua...
Oi André, claro que eu não acho que a estética da favela deve ser valorizada. Não é o caso. Como diria Louis Kahn, até um tijolo quer ser melhor do que um tijolo. Penso que uma intervenção cuidadosa no morro da Providência seria simbólica no sentido de pensarmos em possíveis solução para o problema.
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Caro Fernando, você não resiste em me provocar... Colocar no mesmo parágrafo uma associação entre "urbanismo contemporâneo" com o nome do Casé e outra entre "obra pública sem qualidade arquitetônica" e Brasília....
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Caro André, onde foi que você leu minha lamúria a respeito da resistência tupinambá ao moderno? Fiquei preocupado: será que temos algum blog clone por aí? Não tenho nem idade para louvar o urbanismo moderno! No Questões Arquitetônicas original eu escrevi uma exaltação à capacidade crítica da República de Ipanema! Mas o bairro, para o bem ou para o mal, também resistiu ao urbanismo contemporâneo – vide o episódio do Casé...
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Caro Fernando, estamos nos desviando da discussão que acho mais importante que é como aproveitaremos as Olimpíadas para fazer do Rio uma das melhores cidades do mundo, com implicações positivas incontornáveis para o resto do Brasil.
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Os blogs da piauí sairão em mais de quarenta blocos neste Carnaval.
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Querido André, não se acostume com a forma carinhosa - é só um certo masoquismo da minha parte. Vamos ver se me faço entender. A zona sul carioca, em especial a república de Ipanema, está na história recente do urbanismo brasileiro (ainda a ser contada, lógico). Me refiro à resistência ao urbanismo moderno, refletindo uma tendência internacional. Foi lá que surgiram as primeiras lutas contra os espigões, na era do Sérgio Dourado, que impediram que Ipanema se transformasse em uma nova Copacabana.
Se não há nenhuma Jane Jacobs nem algum texto clássico ipanemense a respeito (tipo Vida e Morte das Grandes Cidades), existiram as pressões do Pasquim. Claro, cada Village tem o Millôr que merece.
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Fernando (tirei o "Caro..." momentaneamente pela tua defesa do pseudo-obelisco!), não dá! Tua generosidade não tem limites! Nem Madre Teresa de Calcutá! Concordo que o Casé fez algumas obras corretas e que, como a maioria dos arquitetos, faz coisas melhores e piores.
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Olá André, deixe-me confessar uma fraqueza inconfessável: admiro o trabalho de Paulo Casé. Não é piada não. Gosto da obra dos anos de 1960 - a igreja da Barra e os prédios de concreto da zona sul (que alguns de nossos amigos odeiam), em especial o Estrela de Ipanema, que foi pano de fundo do romance Vista do Rio, de Rodrigo Lacerda. Acho um primor o hotel Porto do Sol em Guarapari, dos anos de 1970. Admiro sua inquietude - que é essencial para um artista.
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Caro Fernando, estamos todos preocupados, não tanto com os autores e suas competências, mas sim pelo fato de que, na medida em que deixamos o tempo passar, reduz-se a possibilidade de execução de projetos mais complexos. Você diz que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) só está preocupado com o sucesso dos jogos, mas, na realidade, o COB e o Comitê Olímpico Internacional (COI) têm como função precípua se preocupar com isso mesmo. Quem tem que se dedicar a encontrar as melhores soluções para que os investimentos tenham impacto positivo sobre a cidade e seus habitantes são os Governos (federal, estadual e municipal), monitorados de perto pela sociedade.
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Oi André, Você lançou a pergunta crucial desta história toda: “Haverá espaço para se discutir isso com os organizadores dos jogos no Rio?”. Não sou muito otimista neste sentido. Quando surgiram as primeiras críticas ao projeto, logo após a eleição da candidatura do Rio, os organizadores declararam que tudo havia sido amplamente discutido com a sociedade. Imagine! Continua...
Caro Fernando, como já disse antes, sou contra "condomínios" olímpicos, ou seja, espaços planejados exclusivamente para a segurança e o conforto daqueles que estão dentro no momento das Olimpíadas. Isso não é uma resposta ao que o Rio precisa, nem o bom aproveitamento da oportunidade da preparação para 2016. Todos nós, brasileiros, esperamos que os anos que estão pela frente sejam usados para que soluções de médio e longo prazo sejam encontradas para sanar a violência, os transportes e garantir o bem estar geral da população e dos visitantes do Rio. É claro que não se resolverá tudo até 2016, mas há um processo de enfrentamento dos problemas que deve ser colocado em marcha.
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Oi André, passei alguns dias em Nova York, com direito a neve no dia do ano novo. Lá, o que mais me impressionou dentro do universo arquitetônico foi o High Line – antiga linha de trem suspensa que foi transformada em parque aéreo no Meatpacking District (na área do Chelsea) e que eu ainda não conhecia. O projeto é do escritório Diller Scofidio – os mesmos que venceram o concurso do MIS do Rio de Janeiro.
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Caro Fernando, estou sentindo que fui duro demais com o Meier depois de ler a tua defesa elegantíssima... E concordo com você sobre o Museu em Barcelona. E se é para elogiar algo recente que ele fez, vale lembrar que a igreja no bairro popular de Roma é muito interessante (Igreja da Divina Misericórdia, 1998). Aliás, resgata um princípio que me agrada muito: que as instituições devem construir edifícios de qualidade em todas as comunidades.
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Oi, André. Tudo bem? Eu fui falar que não gostava muito do Meier, mas você acabou com ele! Não acho que ele errou tão feio. A questão, por exemplo, de impedir a visão da igreja, eu não concordo com você. Creio que ele fez um esforço para torná-las o mais visível possível (recuou o prédio, criou um belvedere para visualizá-las etc). Mas, de fato, o edifício é um pouco corporativo demais para o propósito.
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Caro Fernando, Que sorte você ter passado por Roma! É tão rica artisticamente que até os franceses admitem que é imbatível! Para quem gosta de arquitetura, é o lugar ideal para se meditar sobre a intervenção contemporânea nas cidades que estão no imaginário de todos pelas suas construções "antigas" (e ruínas!) e pela ideia de que é importante o "conjunto". Continua...
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Caro André, creio que não lhe contei, mas mês passado estive flanando alguns dias em Roma. A grande novidade da estação escapou-me: por uma semana não conheci o interior do museu da Zaha Hadid, chamado Maxxi. Assim, minha atenção recaiu sobre outro espaço, o diminuto museu Ara Pacis, inaugurado no ano passado e que eu ainda não havia visitado. Trata-se de um pavilhão desenhado por Richard Meier. Continua...
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