Regra geral, autores ficam insatisfeitos com a adaptação dos seus livros para o cinema. Quem escreve costuma sentir um certo desconforto diante da versão filmada do seu texto. Há casos em que o próprio autor escreve ou colabora na feitura do roteiro. Ainda assim, acontece não ficar satisfeito com o resultado. Bons livros, muitas vezes, resultam em péssimos filmes.
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Depois de ver Cidadão Boilesen pela terceira vez, agora no cinema, não mudaria o que escrevi sobre o documentário, na piauí de novembro. Lamento apenas não ter destacado o fato de ter sido produzido com recursos próprios do diretor, Chaim Litewski. É mais um caso de projeto relevante feito à margem das leis de incentivo fiscal que têm estimulado uma produção, na maior parte, de pouco interesse. Além do mérito de ter sido feito com independência, Cidadão Boilesen parte de uma premissa válida – dar visibilidade a um episódio tenebroso, ocorrido durante a ditadura militar (1964-1985). A realização, porém, não está à altura do modelo de produção e do assunto.
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Corumbiara, dirigido por Vincent Carelli, não está disponível para ser visto com facilidade. Recebeu merecido reconhecimento, durante o ano, em diversos festivais e mostras, mas ainda não tem data marcada de lançamento no cinema, em DVD ou na televisão. É, aliás, significativo que, sendo um excelente documentário, tenha sido produzido fora do sistema predominante, sem ter percorrido a via crucis burocrática das leis de incentivo, e que, depois de acumular prêmios, não tenha encontrado meios para ter difusão mais ampla. Fatos sintomáticos das distorções resultantes de um modelo de produção que tem se mostrado incapaz de revelar e promover qualidade artística e mérito cultural.
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Antes de sabermos se o presidente Lula será capaz de transferir sua popularidade para a provável candidata do PT na eleição de 2010, poderemos conferir até que ponto a avaliação positiva dele, superior a 70%, terá influência no resultado comercial de Lula – O filho do Brasil. São decisões diferentes, naturalmente. Uma coisa é votar em quem Lula apoiar, com a intenção de eleger o presidente da República. Outra é sair de casa e ir ao cinema. O voto tem consequências para o país. A compra do ingresso pode ou não proporcionar alguma satisfação pessoal. Além de trazer felicidade aos produtores.
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Thais, veja só. O The New York Times publicou, na semana passada, artigo sobre o debate de Bastardos Inglórios, no Jewish Theological Seminary, em Nova Iorque ( “Seeing Nazis Massacred, Followed by a Discussion”, Paul Vitello, 17/12/2009 ).
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Flavia, seja bem-vinda ao seleto grupo dos que foram ver Entre a luz e a sombra. É pequeno, mas acredito que a maioria dos integrantes reagiu muito bem ao filme. Uma das minhas irmãs, por exemplo, mesmo sem ter lido o post de 10/12/2009, viu e me disse, ontem, que gostou muito
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Exemplar perfeito de cinema globalizado, Avatar estréia hoje nos Estados Unidos e no Brasil, além de vários outros países. Feito em 3-D, a um custo superior a US$ 230 milhões, James Cameron declarou que pretende dar ao espectador a impressão de estar diante da própria realidade. “Faço muitas coisas procurando criar uma patina de realidade no que é, na verdade, fantasia”, disse à jornalista Dana Goodyear, na The New Yorker de 26 de outubro.
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Thais,
Não lembrava de ter dito que “sua geração está perdida”, quando você proclamou sua adoração por Bastardos Inglórios. Obrigado por avivar minha memória. Gostei de saber que a frase ficou na sua cabeça, mas fiquei preocupado, lendo seu email, ao perceber que a crítica do Frederic Raphael não abalou sua adesão ao Tarantino.
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Em fevereiro de 1968, um debate reuniu na University of Southern California, em Los Angeles, Jean-Luc Godard, Samuel Fuller, King Vidor, Roger Corman e Peter Bogdanovich. O evento fazia parte do lançamento de A Chinesa, no circuito universitário dos Estados Unidos.
Nesse debate, alguém da platéia perguntou: “Senhor Godard, o senhor prefere fazer um filme ou elaborar um discurso social?”. Godard respondeu que não via “diferença entre uma coisa e outra.” Tentando esclarecer o sentido da resposta, a mesma pessoa, ou talvez outra, insistiu: “Você quer dizer que tenta mudar o espectador?” E Godard, taxativo, disse: “Sim! Nós tentamos mudar o mundo.” Continua...
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Coincidência ou não, A mulher sem cabeça, de 2008, dirigido por Lucrécia Martel, foi exibido sexta-feira (4 de dezembro), no Rio, em uma mostra dos seus filmes, mesmo dia da estréia de É proibido fumar, dirigido por Anna Muylaert. Não é por serem dirigidos por mulheres latinoamericanas, uma argentina, outra brasileira, que essa simultaneidade chama atenção. Marcante é o fato de terem, em seus respectivos enredos, uma situação idêntica à qual os personagens reagem da mesma maneira. Continua...
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Depois de ler o artigo do Frederic Raphael sobre Bastardos inglórios, publicado na revista Commentary de outubro, resolvi não ver o filme. Como você sabe, Frederic Raphael, além de jornalista, romancista e roteirista premiado, escreveu o roteiro do último filme do Kubrick, De olhos bem fechados. Mas não foi o currículo dele que me fez desistir do Tarantino. Foi a qualidade do texto, a inteligência da argumentação e a finura do sarcasmo. Continua...
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Oitenta valorosas pessoas viram Entre a luz e a sombra, dirigido por Luciana Burlamaqui, no fim de semana de estréia (o documentário é distribuido pela Videofilmes, empresa da qual o editor da piauí, João Moreira Salles, é sócio. Foram, ao todo, seis sessões, nos dias 27, 28 e 29 de novembro, em São Paulo, Belo Horizonte e Santos. Em média, treze pessoas por sessão. Os números falam por si, mas o desastre comercial não desmerece o filme. Continua....
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