“Coco” e “Lula” –  biografias paralelas ( I ) “Coco antes de Chanel” e “Lula, o Filho do Brasil” têm em comum mais do que pode parecer à primeira vista. A estrutura dramática dos dois filmes é idêntica. Além disso, ambos são baseados em livros escritos por mulheres. E embora tenham estilos diferentes, as autoras conheceram pessoalmente seus personagens. Continua...

 

“Amor sem escalas” ou “George Clooney tem seu dia de parênteses” Traduzir “Up in the air” por “Amor sem escalas” parece sabotagem do distribuidor, a Paramount Pictures Brasil, para banalizar o filme. O título original, metafórico na justa medida, virou expressão terra a terra, adotada provavelmente com intenção de ser um chamariz comercial. Admito que “George Clooney tem seu dia de parênteses” não seja um título usual, mas talvez tivesse o dom de despertar, além da curiosidade de admiradoras e admiradores do ator, a de alguns seres pensantes.
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Manoel de Barros - 90% invenção O percentual confessado no título da desbiografia de Manoel de Barros, “Só 10% é mentira”, dirigida por Pedro Cesar, refere-se apenas aos poemas ou inclui o próprio documentário? Apenas 10%? Difícil encontrar performance poética ou cinematográfica semelhante. Continua...

 

“Chéri” – enfeite de bolo Sabemos que existe subliteratura, mas pouco se fala do subcinema. E, no entanto, ele prolifera. Em que consiste? Na verdade, há muitas variantes. Uma é a dos filmes de época enfeitados, adaptados de romances de qualidade discutível. Não chega a ser exclusividade britânica, mas essa é a proveniência da maioria dos exemplares que surgem, regularmente.
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Globo de Ouro – rejeitando "Guerra ao terror" Fora o prêmio dado a Martin Scorsese, e ao filme “A Fita branca”, dirigido por Michael Haneke, o mais marcante da noite foi a grosseria do apresentador. A vulgaridade das piadas, apreciada pelos participantes, é constrangedora. Cada um se diverte como quer, mas será que um prêmio como esse merece tanta atenção no Brasil? Continua...

 

Herzog e os répteis Bom comportamento é castigado, mau comportamento premiado. O paradoxo terá sido um dos atrativos para Werner Herzog dirigir “Vício frenético”. Inverter a norma é uma idéia familiar no universo cinematográfico herzoguiano. O personagem principal também deve ter pesado. O mau tenente, depois capitão, vive no limite, expondo-se a todos os riscos. É mais um na galeria de dementes da filmografia de Herzog.
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Irã e Brasil – “Procurando Elly” Thais, Quando soube do terremoto, na terça-feira, estava para escrever a você perguntando se tem notícia de algum filme brasileiro que esteja sendo exibido, em Teerã. Ou que tenha sido visto por lá nos últimos anos. Tentei investigar mas essa é uma informação que, até onde fui capaz, não está disponível no Google. Acho que vou escrever para a embaixada brasileira. Talvez algum diplomata de boa vontade possa me informar. Continua...

 

“Lula”, ainda – o eufemismo No primeiro caderno do “Globo” de ontem (17/1/2010), há uma tentativa de explicar, segundo o título da matéria, “Por que ‘Lula’ não emplacou”. Não deixa de ser curioso o jornal dedicar uma página inteira para explicar, sem eufemismo, o fracasso do filme. Seria uma tentativa de justificar a ampla cobertura dada antes do lançamento?
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“Ervas Daninhas” – nada nos surpreende A cinefilia dos cineastas franceses do pós-guerra é simpática. Alain Resnais, aos 87 anos, continua a fiel ao cinema americano. Em “Ervas Daninhas”, o personagem principal vai a uma reprise de “As Pontes de Toko-Ri”, dirigido por Mark Robson, em 1955, com William Holden e Grace Kelly. Na saída da sessão, creio que é o narrador quem diz que “quando saimos do cinema, nada nos surpreende” (cito de memória e não tenho cópia do filme que permita conferir). Continua...
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Jorgen Leth no Haiti Soube ontem (domingo, 17 de janeiro), através do “indieWIRE blog network”, que Jorgen Leth estava no Haiti, no dia do terromoto. O Amir Labaki confirmou a notícia, dizendo que “foi mesmo por pouco”. Segundo o blog, Jorgen estava dormindo na casa dele quando o chão começou a tremer. “Estava convencido de que morreria”, declarou. “Fiquei enjoado e com vontade de vomitar. Aí a casa começou a balançar e desmoronou em cima da gente. Agora entendo a palavra desastre.” Ele e a produtora, Marianne Christensen, disseram ao jornal que choraram no início do terremoto e ficaram sem dormir nas duas primeiras noites. “Estamos vivendo à base de água e biscoitos”, disse Leth. “Mas estamos gratos por estarmos vivos.” Continua...

 

Humberto Teixeira – água boa Certas imagens são inesquecíveis. Uma é a do compositor Humberto Teixeira montado num camelo, plano final de O Homem que engarrafava nuvens. Quando vi o documentário dirigido por Lírio Ferreira, pela primeira vez, foi essa cena que retive na memória. Não sei dizer exatamente por quê. Talvez o inusitado da situação, o movimento desengonçado, o sorriso, a boina. A pregnância de uma imagem é difícil de explicar. Sei que é um belo encerramento. Além disso, guardei a impressão, confirmada ao assistir outra vez, que o documentário é um ato de justiça e isso, por si só, justifica ter sido feito. Continua...

 

Caro Francis – adorador de gatos Aprendi a respeitar quem tem amor a gatos. Havia recusado o projeto de uma aluna sobre animais de estimação. Um dos critérios para o trabalho a ser feito era que fosse sobre assunto relevante. A meu ver, a proposta não atendia esse pré-requisito. Mas, diante da argumentação dela, reconsiderei minha opinião. Apaixonada, demonstrou que, para ela, gatos eram importantíssimos. Entendi, naquele dia, que relevância é um conceito subjetivo. Continua...

 

Lula – filme de produtor  O que os produtores, Lucy e Luiz Carlos Barreto, foram buscar em Lula, o Filho do Brasil, de Denise Paraná, não corresponde ao método, nem às intenções da autora, conforme apresentados no post de 29 de dezembro. A diferença é tamanha que seria possível imaginar o mesmo filme tendo sido feito sem recorrer ao livro. Continua...

 

Avatar – esquematismo e repetição Thais, se sobrevivermos a 2012, o ano do apocalipse no filme de Roland Emmerich, não é nada animadora a expectativa do que virá, em 2154, na colônia humana de Alfa Centauro. A não ser que acreditemos em transfiguração e na inevitabilidade de um final feliz, como o de Avatar. Continua...

 

Sherlock Holmes – gincana e Kung Fu Thais, finalmente, concordamos. Você tendo detestado, nem pretendia ver. Mas acabei indo, na esperança de que, desta vez, estivessemos de acordo. Sherlock Holmes é mesmo lamentável. Depois das nossas discordâncias sobre Bastardos Inglórios e Avatar, estava preocupado com a possibilidade delas serem um insanável problema de geração. Continua...

 


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Este blog tem prazo de validade de seis meses e sairá do ar em junho de 2010

 





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