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Nesta altura, dificilmente alguém interessado em cinema não saberá que, além dos dois prêmios principais - melhor filme e diretor, "Guerra ao terror" recebeu outros quatro Oscar ontem à noite: roteiro original, montagem, mixagem e edição de som.
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Apenas duas letras diferenciam Grinberg de Grimbert. A mudança de grafia, porém, mesmo pequena, é indício de negação da própria identidade, e de tentativa de ocultar o passado. No caso, negar a origem foi via de salvação; admitir ser judeu levou ao naufrágio.
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Indicado para quem aprecie ser chantageado – emocionalmente, quero dizer – o adendo ao título em português de
“Precious – uma história de esperança”
– acentua o que no próprio filme não chega a ser tão piegas assim.
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Eventuais leitoras e leitores deste blog, que por acaso tenham lido também os números 38 e 40 (novembro de 2009 e janeiro de 2010) da piauí, devem ter estranhado a publicação de comentários sobre “Jards Macalé – Um morcego na porta principal” e “Os Inquilinos”.
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Seria razoável esperar mais do que
“Pachamama”
tem a oferecer. Resultante da travessia do Brasil, a caminho do Peru e da Bolívia “para saber o que está acontecendo por lá”, o documentário dirigido por Eryk Rocha acaba parecendo um álbum de lembranças feito por um turista.
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Sempre que vejo filmes argentinos ou iranianos, pergunto a mim mesmo se algum filme brasileiro estará sendo exibido em Buenos Aires ou Teerã. Mesmo sem saber ao certo, imagino que não. Parece pouco provável, por exemplo, que “Os inquilinos” ou “Pachamama”, para citar apenas dois filmes em exibição, no Brasil, ao mesmo tempo que “O Segredo dos seus olhos”, cheguem a ser exibidos comercialmente fora do país.
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Produzido por US$ 6,5 milhões, custo baixíssimo para o padrão americano,
“O Mensageiro”
foi exibido nos Estados Unidos 50 salas, por 14 semanas, e rendeu apenas cerca de US$ 890 mil. Ao contrário de
“Os Melhores anos de nossas vidas”
, é um fracasso comercial retumbante, seguindo a tendência dos filmes que tratam dos conflitos nos quais os Estados Unidos estão envolvidos.
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Humpty Dumpty cai do muro e nem todos os cavalos/nem todos os homens do rei/conseguem juntar de novo seus pedaços. Pudera – o personagem da canção de ninar, conhecido de crianças educadas em inglês, tem a forma de um ovo.
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Mais estranho do que o título do filme dirigido por Beto Brant é a maneira como ele foi lançado. No Rio, ao menos, em um único cinema, com só uma sessão por dia, às 10 da noite, na sexta-feira, véspera do carnaval.
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Michael Haneke, diretor de “A fita branca”, foi um excelente antídoto para o carnaval. Comentarei o filme na edição de março da piauí. Por enquanto, registro apenas o fato de que o lançamento acontece, no Brasil, entre o prêmio Golden Globe de melhor filme em língua estrangeira e a entrega do Oscar, em 7 de março, quando concorrerá ao mesmo prêmio e também ao de melhor fotografia, com Christian Berger.
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Os blogs da
piauí
sairão em mais de quarenta blocos neste Carnaval.
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Escrito ao longo de onze anos e mantido inédito até ser incluído em “Exercícios de leitura”, o ensaio de Gilda de Mello e Souza “O salto mortal de Fellini”, relido depois da revisão de
“8 1/2”
, revela acuidade crítica incomum.
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Ao entregar o ingresso, custei a entender o que o porteiro me dizia. Na terceira repetição, o termo que nunca tinha ouvido ficou claro. Aquela sessão de
“Nine”
, na quinta-feira (11 de fevereiro), às 14 horas, na sala 6 do Unibanco Arteplex, no Rio, fazia parte do projeto “Cinematerno”, dedicado a mães de recém-nascidos.
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O maior mérito de
“Nine”
, dirigido por Rob Marshall, é motivar a revisão de
“8 ½”
, de Federico Fellini. Fora isso, haveria pouco a comentar. O filme demonstra o modo de funcionamento de uma certa imaginação norte-americana: “deseja a coisa verdadeira e para atingi-la deve realizar o falso absoluto” (Umberto Eco, “Viagem na irrealidade cotidiana”, 1984, p.14).
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Depois de premiado em diversos festivais,
“VJs de Mianmar”
foi escolhido melhor documentário da competição internacional, em 2009, no Festival É Tudo Verdade. Agora, vem de ser selecionado para concorrer ao Oscar.
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Será preciso dizer onde o diretor Elia Suleiman nasceu para comentar
“O Tempo que resta”
? Faz diferença se a história é ou não autobiográfica? É preciso mencionar que, além de diretor, roteirista e co-produtor, ele também é ator? E a semelhança dele com os mestres da autoironia, deve ser apontada? É importante saber se o filme foi premiado em algum festival?
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Beatriz, desde que a Thais subiu a serra para fugir do calor, fiquei desorientado, sem saber bem o que ver e o que achar do que vejo. De tão concentrada, nem email ela escreve mais. Por isso, adorei saber que vocês tinham gostado do filme do Spike Jonze. E lá fui eu, esperando concordar. Meio desconfiado, mas fui.
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Diante do filme dirigido por Clint Eastwood, o clichê é irresistível. “A pátria de chuteiras” expressa de forma simples e direta o tema de
“Invictus”
. Um arriscado e bem sucedido lance de “marketing” político, ao ser transposto para o cinema, parte da premissa de que o esporte pode contribuir para cicatrizar feridas históricas. Alguém realmente acredita nisso?
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Ele quis sair antes do fim. É verdade que a sessão do Estação Vivo Gávea, no Rio, na quinta-feira, 4 de fevereiro, às 17 horas, foi tumultuada. Quando o filme estava perto da metade, a imagem começou a piscar. Depois de alguns segundos de ameaça às retinas da platéia, saí para pedir providências. O funcionário que encontrei reagiu com total indiferença, mas deu a entender que verificaria o problema. A projeção continuou a piscar.
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Meu amigo Nilton diz que Luiz Carlos Barreto está no papel dele, alardeando o fracasso de
“Lula, o Filho de Brasil”
. Pode ser. Estranho é “O Globo” ( 28/1/2010 ) dar meia página, no primeiro caderno, a esse esforço de prestidigitação, onze dias depois de publicar página inteira tratando do mesmo assunto.
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Diante dos filmes de Joel e Ethan Coen é preciso ter cautela. “Um homem sério”, por exemplo, tem uma epígrafe atribuída a Rashi: “Receba com simplicidade tudo que acontece a você”.
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Em defesa da diversidade, José Joffily, Lucia Murat e Murilo Salles vêm a público para apoiar Domingos de Oliveira, por meio do artigo “O resto são efemérides”, publicado no “Globo”, em 30 de janeiro. Concordam com a afirmação feita por ele de que não há indústria de cinema no Brasil. A esse respeito, parece estar sendo forjado um certo consenso. Ainda assim, os três cineastas respeitam “os movimentos institucionais que desejam montar essa indústria”.
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Domingos de Oliveira está certo ao considerar que “há alguma coisa errada. Na base.” No artigo “Uma nova receita para o cinema brasileiro”, publicado no “Globo”, em 27 de janeiro, ele afirma que o cinema brasileiro não é uma indústria. E que “o filme estrangeiro domina o mercado, e não temos chance de competir”.
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Considerando que os parâmetros básicos da atividade cinematográfica no Brasil são os indicados na primeira parte deste post, o que leva o cinema a ser tratado como indústria? Por trás dessa postura, não estará apenas uma tática persuasiva?
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“O risco-cinema”, matéria publicada no Segundo Caderno do “Globo”, em 17 de janeiro, apresenta números eloquentes. Assinada por André Miranda, indica tendência de queda acentuada na captação de recursos, entre 2008 e 2009, e resultados de bilheteria deficitários de alguns filmes; comprova, desse modo, que a renúncia fiscal, permitida por lei desde 1993, não está propiciando um processo de acumulação que permita à atividade cinematográfica tornar-se, um dia, autossustentável no Brasil.
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