Cartas


OUTUBRO
SERRA
Excelente a entrevista com o governador de São Paulo, José Serra. Não imaginava que fosse encontrar um homem com tamanha sensibilidade e inteligência.
IRANI CABRAL BÁGGIO, Curitiba (PR)

NA HORA DA DECISÃO
Em agosto/2009 escrevi à sessão de cartas dessa revista sobre a investigação feita sobre a vida da ministra Dilma Roussef e sugeri que fosse feitas reportagens de outros pré-candidatos à presidência da república para evitar a parcialidade da revista. Comprei até emocionado o exemplar de outubro quando vi o chamado de capa sobre o pré-candidato Governador José Serra. Para minha completa decepção, após ler atentamente as 10 páginas dedicadas somente à construção e exaltação da figura do pré-candidato Serra, observei a preferência da revista e apoio ao pré-candidato do PSDB. Até mesmo a investigação de currículos feita na reportagem da Ministra Dilma foi chamada de "baboseira", "Ficar nessa coisa pequena, nesse detalhezinho, nessa mesquinharia se o serra se formou ou não se formou. O Serra não terminou a graduação, e daí?", disse Cardoso de Mello. 

Isso demonstra o tratamento diferenciado das reportagens: em uma o foco foi a desconstrução de uma imagem com publicação de nota equivocada da Unicamp obtida através de solicitação da revista e a outra a construção da imagem baseada em exaltação, elogios, sem sequer uma investigação aprofundada da vida do pré-candidato. Para mim fica evidente a preferência da revista e da imprensa, como pode ser lido na reportagem: " A identidade política dos grande jornais e revistas é muito maior com ele (serra) do que com Lula, Dilma Roussef e Marina Silva. Ele tem boas relações com colunistas, apresentadores de rádio e televisão e diretores de redação, ... e se dá muito bem com os patrões da grande imprensa."

Ainda bem que hoje cresce cada vez mais a divulgação da informação através da internet, blogs, twitter, etc, e o povo não fica refém de uma imprensa que tem "lado" e partido.
ALEXANDRE LOPES, São Paulo (SP)

SERRA
Eu não voto no candidato de LULA, nem que esse candidato fosse OBAMA. DILMA então. DEUS me livre e me guarde. Sou NORDESTINO e não vejo a hora de votar em José Serra para Presidente da República. Já fui PETISTA um dia e me senti traído pelos PETRALHAS. PT na minha vida e na de minha família NUNCA MAIS NA VIDA. Eu não tenho dúvidas, JOSÉ SERRA será o próximo Presidente do BRASIL. Vamos expulsar aquela cambada do Palácio do Planalto. QUEM VIVER VERÁ.
IVAN FERNANDO DIAS, Natal (RN)

SERRA
Li e estou "relendo" a entrevista sobre o  Serra; desconfio que " Daniela Pinheiro" seja o Paulo Henrique Amorim!
RENE BONAVITA, São Paulo (SP)

Uma foto de lembrança

Edianne Nobre e Jucieldo Alexandre

LOUCURA & PILANTRAGEM
Wilson Simonal passou pela Bossa Nova e foi o maior representante da Pilantragem, ritmo que mesclou o samba e a música brasileira ao rock , com temas irõnicos e cheios de malandragens. Mas não foi apenas por esse motivo que o dono de uma das vozes mais potentes das décadas de 60 e 70 ficou conhecido. Numa época de talentos eternos e revolucionários,  Simonal brilhou como ninguém e inovou como poucos, mas acusado de ter sido "dedo duro" no período negro da ditadura, sofreu um linchamento moral que o condenou ao ostracismo, a depressão e ao alcolismo.

Para mim, mais que biografar a ascensão e queda meteóricas de um ídolo -e isso é feito de maneira empolgante-, o filme Simonal: Ninguém sabe o duro que dei. reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito. O filme esclarece, questiona, expõe, divulga fatos que infelizmente levaram à morte de um homem que desapareu antes mesmo do seu óbito.

Convicto de que este caso é mais um fato de como o racismo impera nas relações socio-politico-economico-cultural do Brasil, eu pergunto, "Teria Wilson Simonal sido vítima de uma conspiração racista e que até hoje, mesmo depois de sua morte, ainda paga por tais truculências?"
JADIELSON ALEXANDRE DA SILVA, Arapiraca (AL)

ÔNIBUS
A gestão do governador Sérgio Cabral concernente ao transporte público não é das melhores. Ainda no início da gestão, teve a infeliz ideia de passar à prefeitura a gestão da Linha Vermelha. Hoje a via em um misto de engarrafamento, asfalto e sinalização precários. No corrente ano, acidentes e atrasos nas barcas foram a tônica nas manchetes cotidianas. A polêmica das linhas de vans foi outra barbaridade cometida com os mais pobres e que não podem escolher por um transporte digno. Por fim, o governador achou por bem achincalhar os sobreviventes do submundo (leia-se moradores da Baixada e Zona Oeste) de vagabundos, pasmem! Enquanto isso, a zona sul é sempre privilegiada com linhas de metrô e mais estações... Por que somos tão ignorados? Parece um governo tirano que só aproveita dos pobres nas eleições. Vejo uma esperança: em 2010, os moradores da Zona Oeste e Baixada, que foram reféns do caos do transporte público possam dar o troco nesses famigerados políticos. De fato, o estado foi feito para cuidar dos caprichos da burguesia!
BRUNO MACHADO, Belford Roxo (RJ)

E O GOTLIB?
Parabéns pelos três anos da revista. Leio-a desde o primeiro exemplar, sempre atrasado alguns meses, mas lendo de "cabo a rabo", inclusive os anúncios. Eu lembro quando brigava com o professor de Teoria do Jornalismo, eu defendendo a piauí e ele, a Veja. Ele dizia em público que a piauí não duraria um ano. Hoje vou nas aulas dele com a camiseta da piauí, orgulhoso da revista ter durado e crescer nesse período. Minhas brigas com o professor renderam pelo menos duas assinaturas para a piauí, e, quem sabe, alguns cancelamentos para a Veja... Forte abraço à equipe. Ah, e o Gotlib?
TIARAJÚ GOLDSCHMIDT, Santo Ângelo (RS)

MÃO À PALMATÓRIA
O meu filho apareceu com uma pilha de revistas, mais precisamente das revistas piauí. Eu fui logo olhando o preço de capa, que achei salgado. "Olha aqui, meu filho, você e sua mulher precisam apertar mais o cinto, estamos em período de austeridade!

O meu filho se defendeu: "Mas mãe, eu trouxe pra senhora ler, essa revista é uma maravilha, leia que vai gostar".

Respondi que não ia ler, pois a revista era  feia e grande demais, e não tinha fotos bonitas, etc e tal.

Meu filho continuou irredutível: "Leia, mãe, ao menos uma".

Repeti que não ia ler coisa nenhuma, e que ia jogar tudo no  lixo.

O meu filho pediu: joga não, mãe, tem artigo que quero reler!

Ok, respondi. Não vou jogar fora, mas então leve de volta esse monte de revistas, não quero mais  tranqueiras  aqui, já tem bastante. Vocês pensam que casa de mãe é depósito?

E ele: "Ô, mãe, não posso levar de volta, meu apê é  pequeno feito um ovo!".

Viu? - eu falei - Se você economizasse mais, poderia financiar  um apartamentinho  pra vocês!.

 "Mas mãe, não é com a economia de uma revista que eu vou guardar grana pra dar entrada em um apê".

Enfim, a visita do meu filho chegou ao fim, ele  regressou pra cidade onde mora e deixou a pilha de revistas.

Há poucos dias peguei as tais para atirar no lixo e, com peninha no coração, resolvi abrir  ao menos uma, apenas  para checar.

Fui lendo, lendo, e li todinha. Depois outra, outra e outra.

Apaixonei-me pela bendita revista piauí. Meu filho tá certo, e ele é um ótimo leitor, sempre foi, desde pequenininho. Eu devia ter acreditado  nele, desde o primeiro momento.

A revista piauí foi uma agradável surpresa: é escrita por uma equipe muito, muito da pesada. Os caras são feras, tem um senso de humor apurado, a ironia fina, no ponto certo. Não é uma revista tendenciosa, é bem informativa, e seus artigos são escritos com  inteligência e leveza.

Resolvi não jogar as revistas fora, vou doá-las para uma das  bibliotecas que freqüento.

Dou a mão à palmatória: a revista  é um luxo que vale a pena!
MARIA DAS NEVES ALVES BRAGA, Pirassununga (SP)

ANISTIA
Por participar da luta contra o golpe de 1964, greves de trabalhadores, movimentos pela redemocratização do país e ter-me colocado contra a corrupção, nepotismo, gastos excessivos, transporte irregular de material radioativo e outros ilícitos em plena ditadura militar, na então Nuclebrás, fui interrogado no famigerado SNI e demitido. A partir daí tenho enfrentado todo o tipo de intimidação, perseguição e constrangimento, inclusive nos governos dos presidentes FHC e LULA, fatos que me levaram a trabalhar na informalidade.
Apesar de anistiado político pela portaria nº 1942, de 14/10/2008, assinada pelo Ministro Tarso Genro do Ministério da Justiça, foi-me negada a prestação mensal e continuada. Aposentado pelo INSS "por velhice" desde julho último, recebo dois salários mínimos mensais.
Pergunto.
-O que difere a minha anistia às concedidas ao jornalista Cony, ao cartunista Ziraldo, ao metalúrgico Lula ou aos aeronautas da Vasp, perante a lei 10.559?
ROBERTO MACHADO, Rio de Janeiro (RJ)

SERRA
Ok, matéria que enaltece José Serra, matéria que questiona Lula. Que as coisas não prossigam assim, sob o risco de se considerar (no mínimo) Piauí uma revista tendenciosa...
Marco Antonio Bin, São Paulo (SP)

CARTA ABERTA A MARIO VARGAS LLOSA
Considerações sobre o artigo "Em defesa do romance", publicado na revista Piauí #37, editada em outubro de 2009 Extraído da série "A Cultura do romance", editada no Brasil pela Cosac Naif, o artigo do escritor peruano Mario Vargas Llosa lança-se à argumentação - teórica e apaixonada -, da subsistência do romance presente na literatura como forma narrativa essencial para uma sociedade sã e altiva. Especifica que o livro é o objeto maior enquanto veículo do romance; nega que as mídias digitais possam substituí-lo; denuncia que Bill Gates é abertamente contra a continuidade da impressão de livros em papel; e traça através de algumas obras e escritores clássicos a contribuição inquestionável do romance para a Linguagem e o Pensamento. Prezado sr. Mario Vargas Llosa, foi com muita atenção e apreciação que li o vosso texto "Em defesa do romance" na revista brasileira Piauí, publicada em outubro de 2009. O romance enquanto narrativa defendido através de outra forma narrativa: o artigo. O fantástico ou idílico pelo teórico e analítico. Devido a essas nuances da comunicação somos homens. Somos criativos. Inventamos linguagens. Para si mesmo e pelo Outro. Emissor e receptor - ou "um por todos e todos por um", citando "Os três mosqueteiros", de Alexandre Dumas. Escrever-lhe esta carta aberta é contribuir para o debate proposto. Sem o objetivo de que seja um embate - mesmo sabendo que esta intenção não seja sempre evitável. Mas que também não seja apenas um eco em meio às várias questões que o vosso artigo abrange. A carta como forma de comunicação escrita é das mais antigas da História, quase tanto como a própria escrita. É pré-Literatura. Antecedeu e inspirou a Literatura. Antecedeu e inspirou o Jornalismo. E subsiste em tantas formas que, das mensagens em cavernas às do Twiitter, atualmente, e apesar de todas as revoluções nas mídias, poderia arriscar que é imortal (há, por exemplo, seções dedicadas a elas em quase todas as publicações). Tão imortal quanto a Arte enquanto expressão humana sobre a Vida. E a Literatura enquanto expressão humana sobre a Vida pela escrita. Talvez seja essa convicção, tão científica quanto romântica, que me faz ponderar um pouco mais alguns dos pontos-de-vista expostos em vosso artigo. Se, hoje, é fato que em um país como a Espanha - conforme pesquisa citada -, metade de sua população nunca leu sequer um livro, precisamos entender os números que haviam antes. Lia-se mais livros naquele país? Em caso afirmativo ou não, seria a Tecnologia e o aumento exponencial de acesso à ela nas últimas duas décadas as responsáveis por tal número? Tal preocupação não tem, de forma alguma, qualquer justificativa explícita ou implícita na postura alardeada por Bill Gates. Frases como "espero não morrer sem ver realizado o meu maior projeto: acabar com o papel", pronunciada na Real Academia Espanhola, conforme citado, parecem-me frutos de algum recalque, algo a ser analisado também em outras instâncias, e, infelizmente, com conseqüências alarmantes considerando-se o orador. Mas subestimar questões pertinentes como a ecológica pode minimizar vossa defesa do livro em papel - ou não é de fato uma questão a forma como as árvores são cultivadas, desmatadas e replantadas, em larga escala, e sob que condições, tanto naturais quanto humanas, para atender a indústria? Pode minimizar os argumentos da defesa do livro em papel em detrimento de outros formatos em plataforma digital. Ou, caso queiramos, pode maximizá-la para considerarmos o que está realmente em causa nesse empreendimento de anular uma indústria em benefício direto de outra. Já ouvi em várias ocasiões que o livro em papel seria a mídia mais eficaz que existe. Tanto pela ótica teórica, técnica quanto poética. Por gente de diversas idades, classes sociais, níveis de instrução ou origem. É o livro que está nas escolas e universidades. É o livro que permanece um objeto de apreciação até enquanto presente, tal a sua conotação como sendo um objeto de prazer. De afeto. Livro de cabeceira - não há outra mídia que detenha uma categoria com tal grau de aproximação da intimidade. O risco de tal argumentação pode levar ao falacioso. Ao demagogo. Àquilo que justamente a Literatura esforça-se por não ser: corporativa. Não que a preocupação com a subsistência dos escritores e todos os profissionais da área editorial seja secundária. Mas é preciso perceber porque a maioria das pessoas não lê livros. Ainda. Mesmo quando tem acesso a eles, gratuitamente, em casa, nas escolas e universidades ou bibliotecas. E nesse contexto de desisteresse global pelos livros; de conseqüente ausência de romance como tecido das relações humanas, inclusive, com grave deturpação do seu significado; da falta de referências do que nos é comum enquanto espécie, independendo da conclusão se é a falta de leitura de livros a sua causa; que passo a discordar mais seriamente de algumas de suas considerações: Não creio que seja necessário imaginar num artigo, pelo mero prazer do exercício, como seria um mundo sem literatura para sentirmos o que ele seria. Ele existe. Existe onde não há romance. Onde haja quem não leia romance. Existe onde haja quem não saiba o que é romance e existe onde há quem saiba mas não o viva. Não "haveria loucos, vítimas de paranóias e delírios de perseguição", há. E escapar desta realidade talvez seja um dos motivos das pessoas não estarem mais próximas dos livros, de sentirem que muita da fantasia dos romances são também a sua realidade. O citado Orwell em "1984" não apenas "descreveu, com acentos gélidos e de pesadelo, uma humanidade submetida ao controle do Grande Irmão, um senhor absoluto que, por meio de uma combinação eficaz de terror e tecnologia moderna, eliminou a liberdade, a espontaneidade e a igualdade (...)", e nem "é verdade que a profecia sinistra de 1984 não se materializou, e que, como ocorreu com os totalitarismos fascista e nazista, o comunismo totalitário desapareceu na URSS e depois começou a se deteriorar na China e naqueles anacronismos que são ainda Cuba e a Coréia do Norte (...)". Pelo seu próprio argumento industrial. Ou por uma mirada menos monocórdica e abrindo caminho para uma pluralidade analítica nos campos geopolíticos, históricos, econômicos e sociológicos. "1984" - como exemplo -, não é apenas fantasia, se considerarmos a fantasia um dos componentes do romance, e que, portanto, não o esgota em si. Orwell visionou criar arquétipos institucionais, tão presentes no mundo moderno do século passado e nos dias de hoje quanto os arquétipos de divindades e de personalidades presentes na Religião e na Mitologia, com relevância crítica e beleza artística. Faço aqui minhas as suas palavras: "(...) Sem os contos e os romances (...) não teríamos sido capazes de compreender o sentido de fragilidade e impotência do indivíduo isolado das minorias discriminadas e perseguidas, ante as forças onipotentes que podem pulverizá-los." Para efeito desta carta, no caso, dos escritores face a possibilidade de extinção dos livros em papel. Nesse mesmo viés, "(...) um mundo sem romances", não "seria parcialmente cego em face desses abismos terríveis onde com freqüência jazem as motivações de condutas e comportamentos inusitados, e por isso mesmo tão injusto contra o que é diferente (...)". Ele é também cego. Cego quando ignorante. E pior quando ignorante e sem romance. Ou será "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, apenas fantasioso quando, no mínimo, metafórico? O romance tanto não está apenas no livro quanto a Vida não está. Imaginar um mundo pós-apocalíptico sem romance é subordinar Uma ao outro, quando a própria Vida existe com Liberdade. Também de escolha. E daí o romance. Abdicar do romance é uma escolha. Trágica se quisermos. Mas pela Liberdade e pela Vida, precisamos aceitá-la. Não uma aceitação passiva e resignada, mas amável e combativa: Ensino, Espiritualidade, Compaixão, Dedicação, Idealismo, Prática. Amor e Verdade. Meus cumprimentos.
André Renato Malvar, Rio de Janeiro (RJ)

LLOSA
Quero parabenizá-los pela publicação do artigo de Mario Vargas Llosa em "quastões literárias" (Piauí 37) intitulado "Em Defesa do Romance". Sem dúvida é uma das melhores publicações desta revista sobre o assunto. Aos leitores que não leram, aconselho a fazê-lo. Parabéns!
Victor Gomes

PROFISSÃO: LEITORA DE PIAUÍ
Prezados Senhores:  

Estou lendo a edição atual (36) que está fantástica! Estou na página 20 e ávida para chegar à página 74 , pena que entre uma leitura e outra tenho trabalho e afazeres. Não seria mal, quando perguntada: O que você faz? Eu respondesse: Leio Piauí.  

Sem dúvida alguma é a melhor revista do mercado!  

Grande abraço,
Fabrícia Botelho , SÃO PAULO (SP)

DIFERENCIADA
Ao terminar de ler a reportagem "A diferenciada" (piauí_36, setembro 2009) não sei dizer realmente o que senti: irritação, frustração... provavelmente as duas coisas. Irritação porque o conteúdo da matéria foi muito infeliz e desnecessário, para não dizer outra coisa. Acho até que "Uma linha sobre Michael Jackson" teria sido menos irritante. E frustração porque continuei a ler a reportagem acreditando que em algum momento houvesse ali, naquelas quatro páginas, no meio de tanta asneira, algum comentário à la piauí... não encontrei. Tirando isso a leitura da revista foi ótima.
CAIO ESPER, SÃO PAULO (SP)


Em Farroupilha todos conhecem a seguinte anedota. O barão Grendene dizia a quem quisesse ouvir: "Os meus netos não conseguirão gastar os juros do meu dinheiro." Barão Grendene, onde quer que esteja agora: o senhor não contava com os seus bisnetos!
UOSTER ZIELINSKI_NATURAL DE FARROUPILHA/RS, RESIDENTE EM , BELO HORIZONTE (MG)


A reportagem só tem frivolidades de uma mente que vive fora dos nossos dias. Leio desde sempre a piauí, mas nessa vocês desperdiçaram papel, pois não vi absolutamente nada útil nem politicamente correto. Mas fazer o quê? Quem não vai nas feias não merece as bonitas.
ANGELO DEMORE, CAXIAS DO SUL (RS)


Mais! Mais! Por favor, mandem o Roberto Kaz cobrir outra festa (serve funeral) da dona Sukarno. Me mijei. E o isqueiro do garçom? E o banho frio? piauí (ou Simara?) é o máximo!
LUIZ CARLOS DE SOUZA, SÃO PAULO (SP)

GÊNESIS
A capa da última edição (piauí_36, setembro 2009), sem falso moralismo, não foi uma boa escolha. Um amigo, a quem indiquei a revista, comentou que, ao chegar em casa com a família (a sogra inclusive), se deparou com a revista, embaladinha no plástico, em cima da mesa da sala de estar, com a capa virada para cima, ostentando a figura do Adão e da Eva em franca posição de coito. O que ele fez? Constrangido, rapidamente retirou o exemplar. Por certo será difícil mantê-lo no lugar nobre, à disposição das visitas. E a coleção ficou abalada. Outro ponto negativo, consequência do forte apelo sexual incrustado na edição, é a apresentação da revista nas bancas de jornal. Talvez até venda mais, mas quero crer que a intenção não foi esta. Poderiam ter escolhido outro quadrinho do Crumb. O certo é que, para nós que colecionamos a revista, foi frustrante. Longa vida à piauí, mas, por favor, escolham melhor as capas.
SÉRGIO MENDES, TERESINA (PI)


Se esse livro diabólico não fosse utilizado sistematicamente para perseguir e torturar inocentes, se não fosse utilizado para abençoar e justificar o egoísmo e a crueldade, seria até divertido ver uma versão em quadrinhos dele. Entretanto, foi com base nesses contos folclóricos, coletados no Iraque da Idade do Bronze, que os mesquinhos adoradores de demônio de Abraão declararam guerra à Humanidade - uma guerra que ainda exterminará a raça humana antes do final deste século. Com este lançamento a Conrad presta um desserviço não só ao país como também ao mundo. Lamentável equívoco.
ALAN PIRES FERREIRA, BELO HORIZONTE (MG)


Sinceramente, não entendi a contribuição desta historinha ao leitor de piauí. Fiquei decepcionado e até aborrecido por ter gasto o meu tempo lendo a história de Adão e Eva, ainda que com uma maliciazinha juvenil nas entrelinhas. Por favor, poupe-nos do Velho - e do Novo - Testamento nas próximas edições.
WAGNER TUBINO, SÃO PAULO (SP)

ÔNIBUS
Na matéria "O estouro da boiada metálica" (piauí_36, setembro 2009) faltou dizer claramente que o reflexo dos ônibus se amontoando nas áreas do centro e da Zona Sul é a falta de coletivos na parte mais distante da Zona Oeste: Realengo, Bangu, Campo Grande, Guaratiba e Santa Cruz. Nessas áreas, as linhas locais e em direção ao centro foram suprimidas. Não há integração com o sistema de trens, obrigando as pessoas a pagarem duas ou mais passagens em trajetos nos quais, anos atrás, pagavam apenas uma. A Oriental controla a única linha entre Campo Grande e centro que cobra a tarifa básica. Seus ônibus caem aos pedaços, literalmente. Na avenida Brasil, a qualquer hora do dia, é possível observar carros da Oriental enguiçados pelo caminho. Os horários são mera ficção. Nem os fiscais de ponto sabem informá-los. Enfim, bagunça total. O panorama é diferente nos frescões (4,40 reais nos modelos urbanos e 7 reais nos modelos turismo). Os carros novos se amontoam nos pontos e novos trajetos foram criados. É a velha tática de fazer sumir do mercado o produto básico para obrigar o público a consumir o produto mais caro e com maior margem de lucro. Dos bairros ainda mais distantes que Campo Grande, já não há mais linhas para o centro com a tarifa básica. Ou as linhas passaram a ser operadas exclusivamente por frescões, ou tiveram seu itinerário alterado para trajetos parciais. Uma viagem de 2,20 reais sem baldeação passou a custar 5 reais com até duas baldeações.
DANIEL SOARES, RIO DE JANEIRO (RJ)

QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
Na sexta à noite, assisti a Moscou, seguido de um debate entre Eduardo Coutinho e sua plateia. O filme é feito de fragmentos, a vida também. No filme, jorram sentimentos: nos rostos expressivos dos atores, nas falas (da peça de Tchekhov ou não), nas cenas de ensaio, nos camarins, nos cenários. Duas cenas são belíssimas. No escuro se acendem fósforos e, em um encontro amoroso, se ouve uma música brasileira romântica. O amor é possível? Ou estamos todos esperando voltar para Moscou? Em outra cena, uma atriz chora. E sabemos que é a atriz, e não a sua personagem, quem está chorando. Suas colegas de palco a reconduzem para sua personagem, depositando assim sua tristeza nas três irmãs de Tchekhov. Em seguida, as atrizes conseguem rir entre si. Não é no barulho que se constrói a festa. O que Eduardo Escorel enxergou como a ausência do diretor no filme ("Coutinho não sabe o que fazer", piauí_35, agosto 2009), enxergo como presença sutil e constante.
ÂNGELA BEATRIZ S. M. VIANNA, PORTO ALEGRE (RS)


Mais que biografar a ascensão e queda meteóricas de um ídolo, o filme Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei reescreve a saga do cantor para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele sequer tenha feito (piauí_36, setembro 2009). Convicto de que este é mais um exemplo de como o racismo impera nas relações sócio-político-econômico-culturais do Brasil, pergunto: teria Wilson Simonal sido vítima de uma conspiração racista e que até hoje, mesmo depois de sua morte, ainda paga por tais truculências? 
JADIELSON ALEXANDRE DA SILVA, ARAPIRACA

DIÁRIO KEN COLGAN (ainda)
Acabo de ler a carta da Valeria Fontana (matéria da piauí_34, julho 2009), que criticou a atitude dos brasileiros que defendem a Amazônia sem jamais ter viajado até lá. Ela, por conhecer tão bem o país, deveria saber que a grande maioria dos brasileiros não pode pagar por pacotes de passeio para a Amazônia. E mesmo que pudesse, Valeria, por ter vivido tanto tempo na Europa, deveria saber que a distância entre Belo Horizonte e Manaus é aproximadamente a mesma de Barcelona até Moscou.
LAURO MAGALHÃES FRÁGUAS, VIÇOSA (MG)

DELEGADO FLEURY VIRA DOM HÉLDER
Desde o fim da tarde do dia 24 de agosto, São Carlos (e todo o país!) livrou-se da ignominiosa homenagem que uma das ruas dessa cidade paulista prestava ao facínora Sérgio Paranhos Fleury, delegado-torturador e herói da ditadura militar ("Torturador na via pública", piauí_20, maio 2008). Ao ser rebatizada com o nome de dom Hélder Câmara - o "cardeal vermelho", como era acusado pelos militares -, a cidade de São Carlos manifesta sua solidariedade e reconhecimento à luta de todos aqueles (brasileiros e estrangeiros) que foram presos, sofreram torturas e morreram em defesa da redemocratização do país durante o período de 1964-85.
CAIO TOLEDO, CAMPINAS (SP)

PIAUIENSES
Adorei: aumentar o espaço para as cartas! Os comentários - prós ou contras - surgem tal qual um debate apaixonante de opiniões, como numa conversa entre conhecidos que falam a mesma língua. Assim, mesmo discordando, estamos em sintonia... 

P. S. You're not alone, M. J., sorry... 
IOLANDA GABRIELA DE OLIVEIRA AZEVEDO, SÃO JOÃO DA BOA VISTA (SP)


Não me perguntem o porquê, mas leio a piauí assim. Quando chega a edição do mês, leio a seção de cartas. Vejo as matérias mais comentadas do mês anterior, e só então as leio (na revista passada). Depois, passo a ler as outras, de trás para frente. Já a revista do mês corrente, só lerei quando chegar a próxima, depois de ver a seção de cartas. Assim estou sempre atrasado, tipo Suplicy.
FÁBIO RIBEIRO CORRÊA, RIO DE JANEIRO (RJ)

INTÉRPRETES
Ignorada pela grande imprensa, coube a vocês publicar uma extensa e bem pesquisada matéria sobre a profissão do intérprete ("Fina Sintonia", piauí_36, setembro 2009). Permitam-me acrescentar uns poucos pontos. Para evitar que se pense que nossa profissão se compõe apenas de Yehudi Menuhins e Yo-Yo Mas: além das grandes estrelas há também os anônimos instrumentistas lá do fundo, que interpretamos, não chefes de Estado, mas anônimos em conferências sobre tudo e mais um pouco, desde a ablação do fígado do ferrão até "A ética do comum no mundo pós-marxista". Não é apenas o Parlamento Europeu que emprega grande número de intérpretes. Há o Conselho, a Comissão e o Tribunal de Justiça, que compartilham a lista de intérpretes freelancers, além de um núcleo permanente de intérpretes funcionários, tudo organizado pelo citado supereficaz Serviço Comum de Interpretação-Conferências. Goering não foi enforcado. Em Nuremberg, nazistas inconformados conseguiram que uma jovem alemã seduzisse um solda-dinho americano do corpo de guarda, e, alegando se tratar de um remédio, fi-zeram chegar ao Gordo uma cápsula de cianeto de potássio escondida numa caneta-tinteiro.
MAURO LANDO, RIO DE JANEIRO (RJ)
nota do editor: O leitor tem razão. Goering, condenado à forca, engoliu a cápsula fatal duas horas antes de colocar o pescoço à disposição do carrasco. A autora da reportagem procurou cianeto de potássio ao perceber o erro, mas foi enforcada antes de encontrá-lo. 

dois-pontos: Exauridos pelo combate, cheios de cicatrizes e circunflexos de guerra, rendemo-nos às regras da nova ortografia a partir desta edição. Derrotados, ao menos nos poupamos de ter de explicar, a cada mês, por que consideramos a reforma uma cretinice colossal.

Na primeira segunda-feira de outubro, dia 5, na sede social de piauí, haverá o solene hasteamento de nossa exuberante bandeira, em comemoração ao nosso terceiro aniversário. Vanusa foi convidada para cantar o Hino do Piauí, mas compromissos etílico-psiquiátricos adrede agendados impedirão, lamentavelmente, a sua afinada presença. O 5 de outubro também é, como todo mundo sabe, o Dia da Ave - e, portanto, do pinguim, o simpático bípede que, sabe-se lá por quê, foi adotado como mascote da revista. Na falta de mais motivos, a data sublime oferece outra soberba oportunidade de congraçamento e celebração: festejar o aniversário de Wilfred Agbonavbare, ex-goleiro da Nigéria. Parabéns, Agbonavbare!

 

 

Por questões de clareza, Piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Não deixe de informar a cidade e o estado de onde escreve.

 
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