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Cartas


MAIO
SORRIA, O INFERNO NÃO EXISTE
Segue o trecho: "Ele considera que existe um forte boicote dos meios de comunicação sobre o assunto. Os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo chegaram a procurá-lo para matérias que, no final, acabaram engavetadas. Coisa de deísta." Deísta é aquele que acredita em um deus não intervencionista. Acho que o termo correto e mais abrangente seria teísta. Quem cometeu o erro, Fábio Fujita ou Sottomaior?
LUCAS M. RIBEIRO, MARINGÁ (PR)

ESQUINA AMAURY JR
Me acabei de rir com a matéria sobre a casa noturna do JR (leia-se José Roela). O apresentador, que diz ser também jornalista e algo mais, já pagou o mico de entrevistar um suposto filho do Constantino (um "sem política não há capital", diga-se de passagem). E ainda quer ser o "selecionador" de clientes VIP.

Tenham paciência!.

CASSIO MURILO PFEIFER BETINE, BIRIGUI (SP)

CASO SEAN
Resposta à carta do Sr.Sergio Tostes, publicada na edição de maio/2010:

70 -"Cê Tenta"

O Brasil é signatário da Convenção de Haia, ponto.

Como brasileira, mesmo revoltada com a tentativa de violação aos termos da lei da própria Convenção de Haia por parte do batalhão de 70 (ufa!), advogados da família brasileira de Sean, e, com toda a manipulação sórdida sofrida pelo andamento deste processo, esperei um comportamento de mais classe no desfecho do caso dos integrantes do tal batalhão de "cê tenta...".

O vislumbre de 15 minutos de fama e o desejo de fixação de uma boa imagem derradeira para uns e outros, à custa da exposição e do sofrimento desnecessários do menino Sean no dia da entrega ao consulado americano, é que pareceu pesado e desrespeitoso, no entendimento desta signatária da Convenção de Haia.

Sim, como brasileira, me considero também signatária da Convenção de Haia, mas claro que na cartilha das 'ditas' poderosas famílias brasileiras e na dos velhos coronéis jurídicos de um Brasil arcaico e fisiologista, isto é uma questão de interpretação da lei...
ANA FRANCO, BRASÍLIA (DF)

COMO TROCAR DE SEXO
Além de esclarecedora, a reportagem de Clara Becker ("Como mudar de sexo", piauí_43, abril 2010) demonstra a importância da interdisciplinaridade na motivação das sentenças prolatadas pelo Estado-juiz.
ARIEL CÉSAR LIBRELON, CURITIBA (PR)

COMO TROCAR DE SEXO II
Achei fantástica a matéria sobre mudança de sexo. Cada vez mais acredito que os (e as) transexuais são os verdadeiros párias da sociedade, isolados por tanto preconceito e ignorância. Essa reportagem deveria ser leitura obrigatória para todos.
MICHAEL GIBBONS, SÃO PAULO (SP)

CHEGADA PINGUIM
Em "Ave, nigérrima ave" (piauí_43, abril 2010), o erro ficou por demais evidente - saiu já no subtítulo: lemos que "o pinguim preto que apareceu na Antártida é..." Não é. Não é Antártida. É Antártica. Primeiro temos o Ártico e depois temos o seu oposto, o Antártico. Só isso, e basta. O que passar disso é pura invenção e besteira, talvez baseada em Atlântida... algo assim.
LUIS CARLOS HERINGER, MANHUMIRIM (MG)
nota do editor: Os funcionários da Divisão do Mar, da Antártida e do Espaço, que ocupam a sala 736 do 7º andar do Anexo i do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, ficaram preocupados com sua carta. E se eles também não existirem?

ÁFRICA DO SUL
Muito esclarecedor o texto de Daniela Pinheiro sobre a África do Sul ("Diamantes negros", piauí_43, abril 2010). Um partido de esquerda que lutou contra uma ditadura e quando chegou ao poder se perdeu na corrupção. Já vi isso em algum lugar.
HUMBERTO SILVA, SÃO PAULO (SP)

GOTLIB
Totalmente desnecessária a seção de quadrinhos deste mês ("O despertar do rei da relva", piauí_43, abril 2010). Não consigo acreditar que alguém possa achar interessante uma historinha tão medíocre como essa. Caso tenham pago pelos direitos de publicação, deveriam repensar no investimento. Com certeza dezenas de cartunistas gostariam de publicar seus trabalhos nesta revista (e de graça). Prêmio não significa talento!!! Deve estar rolando um jabá, me parece a única explicação. 
BERNARDO REINHARDT DESERT MENEZES, BELÉM (PA)
nota do editor: Não aceitamos jabás, só fazemos negócios com hedge funds. Gotlib nos ofereceu títulos garantidos pelo Goldman Sachs.

BRANDÃO É UM MILAGRE
Em "A coceira" (piauí_42, março 2010) foi feito um esclarecimento sobre o "prurido aquagênico" que determina o sintoma de uma doença muito rara da qual sou portador: a policitemia vera. Esta enfermidade, além de rara, só atinge pessoas acima de 63 anos, repito acima de 63 anos, e eu fui atingido pela mesma aos 28 anos e estou vivo! Acabei de completar 50 anos, por sinal. Deixo aqui meus sinceros agradecimentos pela iniciativa de levar, ainda que em poucas linhas, a informação correta e clara sobre essa enfermidade temida por muitos, mas aceita por poucos. Muitos médicos se espantam que eu esteja vivo. Quando me conhecem, exclamam: "Brandão você é um milagre."
CARLOS BRANDÃO, IMPERATRIZ (MA)

HOLOCAUSTO NO DICIONÁRIO
O dicionário Aurélio dá a seguinte definição para holókauston: sacrifício em que a vítima era queimada inteira. Algo diferente, portanto, do que afirma o leitor Gabriel Dantas, na seção Cartas da piauí_39, dezembro 2009. Usado assim, o termo se encaixa muito bem para designar o massacre de judeus pelos nazistas nas câmaras de gás.

Seu sempre leitor atrasado, 
IVAN ANZUATEGUI, BRASÍLIA (DF)

ISLÂNDIA TERRORISTA
Relendo a matéria sobre a Islândia, "A grande ilusão" (piauí_28, janeiro 2009), me chamou a atenção a decisão tomada, no final de 2008, pelo primeiro-ministro inglês Gordon Brown. Invocando uma lei promulgada depois dos atentados de 11 de Setembro, ele incluiu a Islândia na lista de países e organizações terroristas, com o objetivo de bloquear os depósitos do governo islandês junto aos bancos britânicos, o que acarretou a quebra dos três maiores bancos daquele país. Um ano e meio depois, quem diria, a Inglaterra é o país mais atingido pela nuvem de cinzas do vulcão islandês que paralisou praticamente todo o tráfego aéreo no país! Hoje não há dúvidas: o sr. Gordon Brown estava certíssimo. Tudo leva a crer que o vulcão Eyjafjallajökull seja mesmo membro da Al Qaeda!
GERMAN VARELA CASTRILLON JR, SOROCABA (SP)

PINGUIM X PIAU
Sou de opinião que o símbolo de sua revista (um "penguim", como o dos "arrentinos"?) poderia e deveria ser trocado por uma reprodução ou desenho de um piau, peixe de nacionalidade brasileira, em sua maioria, e que empresta o nome a diversas situações pátrias: nome de Estado, de revista etc. Saibam (se é que já não sabem, portanto me desculpo pela repetição desnecessária) que o "i" acentuado, em tupi, significa "água" - no caso, as águas dos rios da região em que abundavam naturalmente os piaus. Noutras palavras, se traduzido ao linguajar atual, "piauí" seria algo como peixe d'água, ou, por paronomásia, água onde abundam peixes, no caso o referido piau. Se quiserem, podem adicionar-lhe uma boina, mas creio que o certo seja um chapéu de palha. Não creio que um anzol seja necessário, mas nada demais ter um à mão, bem como um puçá, talvez uma rede.
GERALDO FRANCO, RIO DE JANEIRO (RJ)

TIPOS BRASILEIROS
Tenho percebido ultimamente que o pseudointelectual, ou o intelectual de uma nota só, vem se tornando, gradativamente, um tipo brasileiro muito comum. Ele aparece quando menos se espera, principalmente em mesas de bar, em cafés e em coquetéis. Com seu ar blasé, de superior indiferença, o pseudointelectual escuta pacientemente o assunto em baila para, com a autoridade da última palavra, dar por encerrada a conversa utilizando sem pudor a tática do "antigamente era melhor", que, com uma alteração aqui e outra ali, serve para qualquer situação ("prefiro a formação original, gosto apenas dos primeiros livros, primeiros filmes, do primeiro disco"). E ainda por cima recebe em troca um uníssono "tem razão" (ou "com certeza"). Nesse ritmo, ele irá muito além do jardim.
HERCULANO NETO, SALVADOR (BA)

POESIA
Resolvi comer as pernas da mentira ("A mentira tem pernas lindas", piauí_43, abril 2010) e fazer uma (dis)junção:

Os grandes lábios da cama engoliram

a moça cândida,

que se despiu meio a um tiroteio,

que gemeu de gozo,

pá pá pá = boceta funkeativa

concreto visual = foda linguística

que sugou o mel,

deglutiu as pernas lindas da mentira,

meia-calça vermelho-vagabundo,

comer-te!

Trepar-te!

Mente vã de poros púbicos a tevê cativa,

cadê Cole Porter?

- Tocou sal na dose e vomitou o verbo.

(Engolindo as páginas suculentas e tocando seu jazz ártico)
MARCO AURÉLIO ALVES, GOIÂNIA (GO)

HOMEM-GALINHA
Nós, do conglomerado de humor Quase, ficamos muito satisfeitos com a publicação de uma matéria sobre o nosso coeditor Juliano Enrico na seção Esquina: "Homem-galinha, este cineasta" (piauí_43, abril 2010). Ficamos ainda mais felizes por terem definido nosso coleguinha como uma "celebridade do underground capixaba", dando a entender que ele é algo tipo uma mescla de artista circense com vj da mtv. Isso jogou a autoestima dele lá para baixo, e abriu uma brecha para a sua ridicularização em âmbito nacional. Muito obrigado!

No entanto, gostaríamos apenas de corrigir algumas imprecisões para não despertarmos a ira dos nerds cartunistas de São Paulo. (Vai que eles resolvem fazer uma magia de rpg contra nosso exitoso empreendimento.) A Quase não ganhou o prêmio de melhor revista de humor no hq Mix. Já foi indicada na categoria de publicação independente, mas nunca ganhou. Quanto ao documentário Touro Moreno, do Juliano, é preciso lembrar que o boxeador geriátrico nunca derrotou o patrono dos pitboys cariocas, Hélio Gracie. Touro Moreno, no entanto, empatou com o gigante baiano Waldemar Santana, o primeiro e único a vencer Hélio Gracie.
GABRIEL LABANCA, JULIANO ENRICO, KEKA, DANIEL FURLAN E RAUL CHEQUER, VITÓRIA (ES)
nota do editor: Quase acertamos.

CARTUNS
Criativos, divertidos e inteligentes os cartuns de Rafael Campos Rocha (piauí_42, março 2010). Quanto à reação do leitor Paulo Oliveira aos referidos cartuns, na seção Cartas (piauí_43, abril), vale lembrar que a denominação "Deus" não é de exclusividade dos cristãos, e que a liberdade de expressão demonstrada pela piauí é uma de suas maiores qualidades. Chega de obscurantismo!
LEONARDO LUCIANO, AMERICANA (SP)

PORTFÓLIO MÁFIA
As linhas criativas da revista me acompanham nas idas ao trabalho, tornando meu interesse maior que meu sono. No ônibus, leio e não durmo. Hoje cedo, porém, tive um ataque de náusea com as fotos da reportagem "Guerra civil em Palermo" (Portfólio, piauí_43, abril 2010). Fiquei com um mal-estar horrível e acredito que esta tenha sido uma das intenções: chacoalhar os leitores. Mas, por favor, tenham dó daqueles com estômago fraco!
FERNANDA CARNEIRO, PIRACICABA (SP)

CASO SEAN
A edição deste periódico (piauí_43, abril 2010) publicou carta da leitora Ana Franco, de Brasília, df, com extemporâneas, pesadas e desrespeitosas ofensas pessoais que não podem deixar de ser retorquidas com a indispensável veemência, como ora as são pela presente.
SERGIO TOSTES, RIO DE JANEIRO (RJ)

A MORTE DE UM HOMEM
Todos os poloneses ficaram abalados com a dimensão e gravidade do acidente aéreo que matou o presidente Lech Kaczynski e sua comitiva oficial de 96 personalidades do nosso país. Para a minha família, estas mortes tiveram uma dimensão adicional, mais privada. Entre os mortos estava o pai de duas amigas da minha irmã Ana. Ele deixou sete filhos e na minha cidade logo iniciamos uma ação de ajuda aos parentes. Entre os mortos também estava o pai de um amigo meu, e um amigo do meu pai. Morreu muita gente boa.

Mas não gosto do nosso derramamento de patriotismo. Não conseguimos nos unir na boa ventura, só conseguimos chorar juntos. E mesmo assim, nessa tragédia, algo nos impediu de baixar as armas e vestir um só luto. Vejo que o trágico acidente dividiu o país em três grupos: os partidários do presidente morto, os seduzidos pela ideia de martírio disseminada pela mídia e os adversários do presidente.

A decisão de enterrar Lech Kaczynski no panteão nacional de Wawel me pareceu incompreensível. Foi uma infeliz tentativa política de unir toda a nação. Em Wawel jazem os reis da Polônia e nossos maiores poetas. No futuro, haverá alunos de excursões escolares querendo saber: "O que fez este senhor Kaczynski?" A resposta correta, infelizmente, é: "Morreu num acidente aéreo." Receio que a morte do presidente vá ganhar uma indevida dimensão política. Para mim esta morte foi, em primeiro lugar, a morte de um homem.

O luto acabou, mas os problemas não.

Pesquisas publicadas meses atrás mostram que mais da metade dos poloneses acha que somos uma nação mais sofrida do que as demais. A meu ver esta é uma convicção perigosa, pois nos ajuda a não ver nossas próprias culpas e falhas. Buscamos responsáveis pela nossa má fortuna nos outros. Não confiamos em ninguém. Vejo nessa tragédia pelo menos uma verdadeira oportunidade para a nossa reconciliação com os russos. Recomendo a leitura de um artigo publicado em inglês: http://www.nytimes.com/2010/04/13/opinion/13iht-edcohen.html


MARYSIA WRÓBLEWSKA_PODKOWA LESNA, /POLÔNIA
nota do editor: Em meados do ano passado, a remetente, uma jovem universitária de 22 anos e maçãs do rosto eslavas, bateu às portas da redação da piauí. Estava no Rio de Janeiro fazendo pesquisas para uma tese de mestrado sobre Cidade de Deus, e retornou à sua Polônia natal no mês seguinte. Seu diário, sob o título "Miojinho na cabeça da polonesa", sobre o tempo em que ficou no Rio, foi publicado na edição 37, de outubro de 2009.

 

 

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